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E aí? Vai encarar?



Wiliam Retamiro

Em seu último pronunciamento à nação, a Exma. Presidente da República Dilma Roussef, passou um recado aos bancos, o que se pode dizer que meia palavra basta, para estes, foi uma frase inteira, aliás, duas as quais seguem:
"Os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros para empresas e para o consumidor, enquanto a taxa básica Selic cai, a economia se mantém estável e a maioria esmagadora dos brasileiros honra com presteza e honestidade os seus compromissos" e,
"O setor financeiro, portanto, não tem como explicar essa lógica perversa aos brasileiros".
Em nosso último artigo no JC&A, do dia 20 de abril, sob o título “Encontraram o interruptor para acenderem a luz no fim do túnel!”, abordamos sobre o paradoxo da taxa SELIC estar em queda, mas os juros bancários permanecerem elevados. Vê-se agora, que nosso questionamento não era improcedente, nem tampouco, irreal.
Ao final deste mesmo artigo, colocamos a questão de que se um dia não seria possível o cidadão comum obter um mero poder de negociação ante as instituições financeiras. Pois bem, este aval foi dado. Com a redução dos juros por parte dos bancos públicos, inclusive com a divulgação por meio de marketing massivo, o poder do consumidor, quer seja pessoa física ou jurídica elevou-se.
Está declarada uma guerra contra o exacerbado lucro dos bancos, ou ao menos, fazer com que as práticas outrora imbatíveis, sejam questionadas e em alguns casos, suplantadas pelo poder do consumidor.
Parece que a luz no final do túnel está ficando cada vez mais clara!
Desde a implantação do Plano Real, os bancos não eram questionados sobre suas práticas para obterem lucros. Agora, viram que possuem um concorrente capaz de tomar ações para regular o mercado, o Governo Federal por intermédio dos bancos públicos.
Afinal, com a adoção de uma política monetária expansionista, a qual consiste na redução da taxa de juros e expansão do crédito, a possibilidade de promover o crescimento econômico torna-se maior e, concomitantemente, a possibilidade de geração de trabalho e renda aumenta.
Enfim, se fez necessária mais uma vez uma ação do governo (não vou repetir que o liberalismo mostrou-se ineficaz, a exemplo de artigos pregressos). E da melhor forma, pois não foi por decreto ou qualquer outra forma de imposição; mas sim, por intermédio de uma ação concorrencial do mercado.
Agora, deve-se acompanhar qual será o impacto nos próximos meses e pensar se outros segmentos da economia necessitam de ações similares, estimuladas pelo mercado concorrencial tendo inserido neste, uma empresa estatal, para que entre “no jogo” a fim de regular o exacerbado lucro que imputa ao consumidor uma demanda onerosa e que certamente poderia ser melhor adquirida se houvesse o bom senso por parte do empresariado.
No ritmo que as coisas vão, podemos já imaginar qual será a frase da Presidenta em seu pronunciamento para os demais segmentos: E aí? Vai encarar?

Wiliam Retamiro
wretamiro@yahoo.com.br
www.wiliamretamiro.wordpress.com