Cambuci, Aclimação,
Jd. da Glória, Klabin,
Vila Monumento,
Paraíso, Vila Mariana
e Liberdade
DIRETOR RESPONSÁVEL: Roberto Casseb
SEDE PRÓPRIA: Rua Senador Carlos Teixeira de Carvalho, 439 - CEP 01535-010 - Cambuci





 

 
A cultura da competitividade

Aqueles que raciocinam com lucidez começam a questionar os fundamentos da educação convencional propiciada às novas gerações. Em muitos países, considera-se que o sistema educacional está se desestruturando sem alcançar os resultados esperados.
A competição tem sido o grande elemento motivador das atividades humanas.Atualmente, as escolas no mundo desenvolvido estimulam a competitividade entre as pessoas, sobrecarregando os estudantes com inúmeros exercícios de pouca utilidade prática, exercendo forte pressão cerebral para o raciocínio calculista, em detrimento da parte interior do ser humano.
Somos induzidos a buscar a felicidade no consumismo. Sem compreender a transitoriedade da vida, o ser humano empenha-se prioritariamente na conquista de bens terrenos, atuando num ambiente de comparações e competição, sempre se avaliando em relação aos demais. Importa o ter, não o ser.
Na vida, as pessoas estão sendo separadas em vencedoras e perdedoras. Os que se consideram vencedores adquirem uma falsa idéia de superioridade em relação aos demais, adquirindo certa arrogância. As pessoas concentram-se em si mesmas sem considerar o que é importante para a comunidade, achando que o fim justifica os meios. Mas a epoca é outra, e agora as consequencias de atuarmos em desacordo com as leis naturais não se fazem por esperar e tudo fica tumultuado, porque nem todos estão agindo com consciência cósmica. Compartilhar e cooperar com os outros são opções que se tornam menos atrativas, prevalecendo o interesse individualista.
Os acontecimentos em geral, a desestruturação das escolas, a falta de segurança, até nas salas de aula, tornam indispensável que o ser humano da atualidade adquira uma visão geral, sem lacunas, sobre todos os tempos, do começo da humanidade até agora, para que enfim se humanize e humanize o mundo. Neste mundo, somos peregrinos em busca da evolução. Fazemos parte do povo dos seres humanos. Não temos o direito de obstar o crescimento do próximo nem de desrespeitá-lo. A existência terrena deve propiciar o surgimento do ser humano de valor.
Para isso, torna-se indispensável que o ser humano receba o adequado preparo para a vida, para que esteja apto a alcançar uma existência condigna através do ganho com o trabalho próprio, pois dessa forma haverá responsabilidade e consideração ao próximo e a esperança de alcançarmos um mundo melhor.


Benedicto Dutra 

A arte de decidir

No ambiente corporativo, são tantos os apelos e as pressões geradas interna e externamente, que as pessoas estão perdendo a capacidade de enxergar com clareza o mundo que as rodeia, para que possam visualizar o que realmente querem e necessitam e tomem decisões acertadas.
Sun Tzu, general chinês que viveu no século IV AC, reconhecido como excelente estrategista por vencer inúmeras batalhas e autor do livro "A Arte da Guerra", cujos ensinamentos vêm sendo aplicados atualmente no mundo dos negócios, preocupava-se em mostrar aos seus comandados o "caminho", o Tao (conceito que só pode ser apreendido através da intuição; é o caminho da espontaneidade natural, o modo de caminhar espontâneo que dá a necessária segurança para agir com convicção).
Quando o líder harmoniza o fragmentado querer dos comandados com a meta almejada, o caminho se torna bem conhecido e todos seguem na mesma direção. Desse modo, não há dispersão dos esforços, uma vez que as potencialidades são aproveitadas integralmente e assim alcança-se a meta. Surge o trabalho de equipe. Imagine que numa empresa uma importante decisão deva ser tomada. O diretor conversa com o gerente da área e com os encarregados mais imediatos. A decisão é necessária e urgente, e precisam ser examinadas todas as possibilidades e os riscos. Com as informações sobre a mesa, com a análise da situação e com bom senso, a intuição poderá auxiliar mostrando logo o caminho a ser seguido. Alguém fala: "é por aqui que temos de seguir". Outro percebe o nexo e concorda. Mas há sempre os que resistem e não querem aceitar que a solução possa ser assim tão fácil, pois estão acostumados a procurar dificuldades para demonstrar capacitação e astúcia.
O fato é que nos desabituamos a raciocinar com clareza. Neste mundo fragmentado em que vivemos, sobra pouco espaço para a visão de conjunto. Cada um percebe apenas uma parte, aquela com a qual mais se identifica e, com teimosia, não quer ver o que o outro tem para mostrar. Ninguém consegue mais achar um caminho, pois não tem claro para si a visão da meta.
A atualidade nos oferece uma situação difícil. Mas, num mundo em que os ecossistemas estão ameaçados e tudo o mais se aproxima dos limites críticos, temos que deixar de lado os egocentrismos e perceber, enfim, que só o caminho da clareza e da simplicidade poderá nos levar a decidir por ações sábias e necessárias, sem o que será impossível contornar as turbulências. É fundamental buscar a reconquista da normalidade para neutralizar os eventos imprevistos e desarmoniosos que se sucedem progressivamente, resultantes de decisões imediatistas, tomadas sem a devida reflexão, ou oportunistas, para o atendimento de interesses particulares.


Benedicto Ismael C. Dutra

Força bruta

Lamentavelmente, a vida tem se tornado muito áspera, em grande parte, devido ao individualismo excessivo que decorre do uso da razão dissociada do coração. O medo e a insegurança levam as pessoas a acumular bens materiais e a querer tudo para si. Essa forma de pensar e de agir estimula a competição acirrada, além de alimentar o egoísmo e um sentimento constante de desconfiança e insatisfação. Com isso, os indivíduos esquecem que fazem parte de um todo e que é imprescindível respeitar a lei do equilíbrio, porque tudo está interligado e, como atestam as leis da física, cada ação gera outra ação equivalente.
Tradicionalmente, as universidades produzem filósofos, teólogos, matemáticos e economistas, entre outros pensadores. No entanto, os cientistas e os estudiosos, assim como grande parte da população, não se esforçaram o suficiente para conhecer a profundidade do significado da vida. Por isso, a existência se tornou muito complicada e todas as atividades foram submetidas à burocracia e às demais formas ásperas de se pensar e agir que pressionam os indivíduos e inibem a criatividade. Então, por todos os lados vemos força bruta colidindo com força bruta, sem amor, sem consideração, sem justiça. Nos mais diversos países, nas organizações ou nas famílias, a agressividade está à flor da pele porque cada um considera a satisfação de seu ego o mais importante na vida. Esse comportamento pode ser visto nas ações mais corriqueiras do cotidiano.
Os humanos se tornaram grandes predadores, espalhando lixo e miséria por onde colocam seu olhar cobiçoso. Cada vez mais, é preciso compreender um simples princípio: é dando que se recebe. Não se trata de coisas materiais. De que vale doar roupas e alimentos e por outro lado não dar a devida consideração ao próximo? A mais forte dádiva que se pode oferecer é ter o querer puro e desejar ardentemente que todos alcancem crescimento pessoal e material com esforço próprio bem aplicado. Só assim, resgatando esses valores e colocando-os em prática de forma correta, poderemos adentrar em uma nova era com um foco construtivo e otimista em relação ao futuro, estabelecendo uma convivência com respeito e consideração a todas as criaturas.

Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Atua na coordenação dos sites www.library.com.br e www.vidaeaprendizado.com.br e é autor dos livros Encontro com o Homem Sábio, Reencontro com o Homem Sábio, A Trajetória do Ser Humano na Terra e Nola - o Manuscrito que Abalou o Mundo, editados pela Editora Nobel com selo Marco Zero. E-mail: bidutra@attglobal.net