Cambuci, Aclimação,
Jd. da Glória, Klabin,
Vila Monumento,
Paraíso, Vila Mariana
e Liberdade
DIRETOR RESPONSÁVEL: Roberto Casseb
SEDE PRÓPRIA: Rua Senador Carlos Teixeira de Carvalho, 439 - CEP 01535-010 - Cambuci





 

 
Reflexões sobre a pós-modernidade

Há pouco estive num velório da mãe de uma colega. Senhora idosa, noventa e tantos anos. Fui avisada por outra colega que agilizava em informar a todos sobre o evento. A morte é mais um evento social: avisar as pessoas, encomendar flores. Esta era a preocupação, uma coisa prática, ágil.

Ação no velório: o caixão fechado no meio da sala, pessoas sentadas conversando. O caixão lá. Ninguém se aproxima ou o fazem num gesto mecânico. Em alguns momentos até se esquecem porque estão lá, tal a importância de se fazer “um social”.

Fala-se de como foi e de como será o velório. Porém do falecido não se fala mais. Parece que já não existe. A história se apaga.

Isso me fez refletir sobre o sentido da vida e da urgência flutuante de rapidamente nos livrarmos das coisas incômodas. A morte passa a ser uma perda de tempo. Isso me faz lembrar uma música que diz “não, não posso parar, se eu paro eu penso, se eu penso eu choro”, como um mantra que nos embala, nos amortece.

Sentir passou a ser um verbo em desuso. Quando falo Sentir, estou me referindo àquele “incômodo” de nos fecharmos em nós mesmos e se deixar levar pelo efeito do acontecimento em nós. Sentir passou a ser uma perda de tempo. Precisamos estar o tempo todo em ação. “Não, não posso parar, se eu paro eu penso” como sendo um lugar de não produção, do nada, quando deveria ser o lugar de voltarmos à nossa humanidade, à nossa essência, de nos reconectar com o propósito de estar aqui. Parar por um instante, desacelerar, interromper o ritmo frenético em direção a um futuro, ser presente.

A morte de alguém sempre nos remete à nossa própria morte. Temos medo, negamos esta realidade e passamos a viver desenfreadamente na busca de dar um sentido, um valor à nossa existência e fazendo disso um ato competitivo para mostrar aos outros como nossa vida é legal, intensa, cheia de acontecimentos. Não se vive mais para si, se vive para mostrar para o outro como minha vida é legal. Então o morrer fica totalmente extirpado da consciência, até mesmo abortado, pois é Ela, a Morte, que nos coloca em contato com nossa impotência. Num mundo onde querer é poder, por mais que a medicina postergue este momento, o vivo só tem esta condição porque na outra ponta existe o morrer.

A Vida enquanto substantivo, é uma existência, um dom dado por Deus. Deixemo-nos por um momento de ser adjetivo, pelo menos de vez em quando, para sentir o Vivo nos percorrendo. Estar vivo não é só respirar, é poder sentir todas as forças do universo em nós. É ser parte do todo. É ser natureza viva: PENSAR – SENTIR – AGIR. Três ações que nos entregam ao todo.

Dolores Araújo, psicóloga clínica formativa. (doloresdear@bol.com.br)

 

Disfunção erétil: quando a impotência
precisa ser tratada

O sexo tem sido cada vez mais valorizado. Nossa sociedade prega que a felicidade está atrelada a uma vida sexual ativa e satisfatória. A mídia vende a imagem de casais sempre dispostos a ter relação sexual, que apresentam uma excelente performance na cama e que têm intensos prazeres.
Esta imagem tão difundida em nossa atualidade não é real, trata-se de uma fantasia. O sexo é importante na vida das pessoas, mas ele não acontece dessa forma tão idealizada. É natural que os casais não tenham relações diariamente, que se sintam tomados por preocupações do dia-a-dia, que algumas vezes não consigam chegar ao orgasmo, que um homem apresente, eventualmente, impotência.
Entretanto, existem algumas pessoas que, por motivos diversos, nunca ou raramente conseguem ter relação sexual. Neste texto abordaremos um problema que acontece com alguns homens e que costuma vir acompanhado de muita angústia: a disfunção erétil.
A disfunção erétil ou impotência se refere à incapacidade de obter e conservar uma ereção satisfatória para a realização do ato sexual. Os seguintes sintomas podem estar presentes: ejaculação precoce ou tardia, dor durante a relação e ao ejacular, perda de libido.
Uma causa psicogênica costuma ser encontrada na maioria dos casos. Questões emocionais ligadas à história de vida, situações traumáticas, experiências sexuais e amorosas fracassadas, dificuldades de relacionamento interpessoais podem interferir no desempenho sexual.
É comum que haja uma intensa idealização tanto do sexo como da mulher, o que faz com que o homem fique muito exigente e ansioso com relação à sua performance. Esta cobrança em excesso pode contribuir para a impotência.
Em alguns casos, após algumas experiências de fracasso sexual ocorre a formação de um círculo vicioso, em que o homem não consegue esquecer a experiência anterior, ficando tenso, ansioso e por isso, acaba fracassando novamente.
Embora mais raro, a disfunção erétil pode ter uma origem orgânica devido a algumas doenças ou devido ao efeito secundário de alguns medicamentos. Nesses casos é preciso tratar a doença e a psicoterapia pode ser útil já que a impotência costuma afetar muito a auto-estima e a vida da pessoa.

Laís de Lima é psicanalista do PalavraEscuta. Para maiores informações acesse: www.palavraescuta.com.br